Rebelde - Veredito da primeira temporada

Baseada em: Rebelde Way (2002-2003) e Rebelde (2004-2006)
Temporadas: 1 
Gênero: Séries teen, séries dramáticas
Classificação: 16 anos
Canal de exibição: Netflix
Criação: Santiago Limón
Elenco: Giovanna Grigio, Andrea Chaparro, Jeronimo Cantillo, Lizeth Selene, Azul Guaita, Franco Masini, Sérgio Mayer Mori, Alejandro Puente, Estefanía Villarreal, etc.
Duração dos Episódios: entre 32 e 48 minutos.


Y soy rebelde!

Entre 2004 e 2006, Rebelde, a versão mexicana da novela argentina Rebelde Way, se tornou um fenômeno aqui no Brasil (e em vários países em que foi exibida). A novela foi uma verdadeira febre entre os adolescentes da época (e eu era uma delas) e dela saiu o grupo RBD, o qual todo mundo que era fã segue amando até hoje (e sonhando com um reencontro com os seis integrantes que parece cada vez mais difícil de acontecer).

Séries, novelas e filmes teen sempre fizeram muito sucesso. Mas o fenômeno que foi a versão mexicana de Rebelde foi uma coisa que eu vi poucas vezes na vida. A novela era um sucesso, o RBD lotava estádios como o Maracanã, bonecas e produtos oficiais vendiam como água, a gravata se tornou um acessório do guarda-roupa dos adolescentes e muita gente se tornou fluente em Espanhol graças à Mia Colucci (eu sempre gostei mais da Lupita, devo dizer).

Mas tudo um dia tem seu fim e as pessoas mudam e crescem. E não foi diferente com a novela mexicana e com o RBD que acabou alguns anos depois do fim da novela. Mas os fãs seguem atentos aos menor sinal de qualquer novidade envolvendo Rebelde.

Quando a série da Netlfix foi anunciada eu achei muito legal. Percebi na internet que alguns fãs da versão mexicana já começaram a rivalizar as duas versões. Embora eu ache que comparações nesse caso são inevitáveis (e eu farei isso aqui), acho que a gente precisa se acalmar. Uma coisa é comparar as duas versões tendo assistido a ambas, outra muito diferente é você reclamar da versão da Netflix sem ter assistido um episódio sequer por achar que a versão da sua (nossa) adolescência é intocável e sempre será a melhor. A gente cresceu galera! Nós éramos o público alvo das novelas de 2002 e 2004, mas não somos o da série de 2022 pelo simples fato de que a gente já passou dos 20 anos.

Os remakes que são feitos são uma ótima forma das novas gerações conhecerem histórias que marcaram as gerações anteriores. Mas não dá para o remake ser absolutamente igual porque as coisas mudam e se atualizam. E isso não é diferente com Rebelde. Isso não faz da versão de 2004 pior nem melhor que a atual. Até porque o grande sucesso do formato Rebelde se deve ao fato dele ser possível de adaptar a diferentes culturas e gerações. 

Maaaas...

Ainda assim, para mim que sou da geração que assistiu a novela de 2004, é inevitável não elogiar a versão de 2022 por coisas que ela melhorou (e muito). Vamos combinar que Rebelde pode ser resumida com uma frase que eu sempre digo: adolescentes fazendo "adolescentíces". A gente está assistindo o drama de adolescentes ricos e mimados numa escola cara onde só estudam filhos da elite.  Nas duas versões (de 2004 e 2022) alguns personagens são preconceituosos, mas, na versão da Netflix isso me pareceu ser mostrado de uma forma menos gratuita e com mais debate do que na versão de 2004. Nas duas versões temos Coluccis (Mia e Luka) militando e pisando em minorias logo em seguida. Só que no caso da Mia a "militância" parecia vazia e reflexo de uma vida de mimos e muita riqueza. Lembro claramente o incômodo extremo que eu sinta a cada vez que a Mia queria fazer de alguma amiga que ela julgava brega seu mais novo "projeto". No caso do Luka a militância seguida das falas preconceituosas parece muito mais reflexo de alguém que foi ensinado a agir assim e está começando a aprender que não são só as dores dele que importam. 

De novo, isso não significa que a versão de 2004 seja pior. Apenas que, as coisas mudam (ainda bem!) e a versão da Netflix está (até agora) conseguindo trazer debates importantes que, talvez, não estão presentes em sua antecessora apenas por um reflexo do tempo.

Mas uma coisa que o tempo e a geração não são desculpa, pelo menos não para mim, é a representatividade. A novela de 2004 é somente sobre brancos heterossexuais. Além do título do primeiro episódio da versão da Netlfix ser "Sejam todes bem vindes" e do Luka reforçar o título do episódio, temos personagens não branques e lgbtqia+. A própria nacionalidade dos protagonistas é diversa  (cincos mexicanos, uma brasileira, um colombiano e um argentino) e é utilizada na trama para mostrar alguns preconceitos. A versão de 2004 pecou nessa questão da diversidade.

Em se tratando de Rebelde, qualquer que seja a versão, uma coisa que não pode faltar é música. A nova versão tem covers de músicas icônicas do RBD (Rebelde, Sólo quédate en silencio e Sálvame), covers de músicas de outros artistas e músicas inéditas. A temporada termina com a banda decidindo seu nome, mas algumas questões ainda ficaram, principalmente para quem é da geração RBD: Quantos integrantes a banda terá? Será que assim como o RBD, a banda da versão da Netflix vai sair da telinha e vir para a vida real? Sobre essa última pergunta, não me parecesse que essa seja a proposta da banda da versão da Netflix, mas ela tem potencial para isso pois todos cantam muito bem.

Dito isso, a nova versão de Rebelde vai agradar aos adolescentes atuais e aos fãs da versão de 2004 também. Além de tudo que já falei acima, a série da Netlfix está repleta de referências à versão de 2004 e ao RBD, o que vai deixar os fãs saudosos de coração quentinho.

Rebelde já foi renovada para sua segunda temporada, mas a data de estreia ainda não foi divulgada.


- Clique aqui para conferir a playlist oficial com as músicas da série.


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